Vegetariano e à la carte? Novas opções para almoço e jantar em Curitiba

Publicado na Gazeta do Povo, Verdura sem Frescura por Flávia Schiochet, 24/03/15

Faz mais de um ano que comentei num post sobre a falta de lugares veganos que abram à noite em Curitiba. E sejam mais restaurante que lanchonete, porque em algumas ocasiões merecemos pedir entrada, prato principal e sobremesa, sem ter que catar no cardápio os pratos que podem ser alterados. “Você pode trocar o presunto Parma por cogumelos?”, eu pergunto por aí, e alguns garçons fazem cara feia. Tudo bem, em alguns lugares é ruim para a cozinha adaptar alguns pratos. Mas às vezes a gente precisa ser meio chato pra que vejam que tem mercado e que não precisamos pedir sempre salada. “A pessoa antes de virar vegetariana tinha o hábito de ir a um restaurante, beber uma cerveja no bar… essas pessoas ainda gostam de fazer isso, mas ficam limitadas, não têm para onde ir. O que temos hoje [disponível no mercado] são pratos do dia a dia, ainda não chegamos ao prato mais elaborado, com uma apresentação bonita. Estou ansioso para que isto aconteça”, me disse Rafael Rupp, chef consultor e vegano há dois anos. É dele a base do cardápio do restaurante Veg e Lev, aberto em fevereiro. Pois começamos a ser bem servidos recentemente: no último mês dois lugares abriram na cidade. Um, novo em folha. O outro, uma ampliação de serviço.

O Mahatma Gourmet começou a servir jantar à la carte além do buffet de almoço diariamente. A maior parte do cardápio da noite é vegan e há várias opções sem glúten. Eu e meu namorado convidamos um casal de amigos onívoros para ir conosco e posso dizer que eles não sentiram falta de nada de origem animal — na verdade, na sobremesa, alguns de nós comemos sobremesas com leite. O restante, todo vegano.

O cardápio do Mahatma está disponível on-line com os valores de cada prato. É bacana porque você pode ir “montando” na sua cabeça qual será sua refeição. Mesmo assim cheguei lá e fiquei em dúvida. Fui de berinjela em crosta de pistache, que vem acompanhada de tagine de tomate e alcachofra com um toque de cardamomo (R$ 34,50). Confesso que fiquei surpresa com o sabor do prato, achei que seria mais simples e até um pouco sem graça, mas foi meu preferido dos quatro que pedimos (claro que belisquei um pouco de cada um, rs).

Quem pensou todo o cardápio e testou os pratos foi o sócio-proprietário Vladimir Scanavaca, que tem um pé na cozinha e outro na administração. Há meses que soube que ele estava planejando abrir à noite, e dá para ver que as centenas de dias valeram cada segundo. A influência do cardápio é mediterrânea e traz preparos mais tradicionais como risoto de arroz negro com cogumelos e vinho (R$ 30) a entradas interessantes como a terrine de quinoa negra com abacate, yacon, tomate e manjericão (R$ 29). Para fechar a refeição (quem avisa amigo é), guarde espaço para o sorvete de biomassa de banana verde com cacau e castanha portuguesa ao creme de conhaque (R$ 12,90). É sem glúten, é vegana e serve duas pessoas (juro).


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